Desdobrando a clareza (incompatível) de não conseguir disfarçar o mistério envolvente.
E para cada olhar estuprador teu,
um pensamento malévolo constituinte.
A cada sobrancelha levantada,
um palpite duvidosamente assertivo.
Mas para cada fuga tua,
uma alfinetada de enxada no lalá do até onde as palavras conseguem manusear.
sábado, 30 de outubro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
enquanto isso, na aldeota alheia.
E pula mais um desespero da cabeça saltitante incompreendida.
E o lugar escolhido: àquele da moda!
Dizem os maus-agouros que o tal já está contaminado, já tem um 'chama'..
uma chama que arde sedenta por sangues novos e viris.
Não adiantam as grades, para tudo dá-se um jeito.
Ou um pulo.
Houve até despedida, carta e ligação;
faltou só chamar a imprensa ou postar logo no facebook.
Talvez chocasse mais, ou até agradasse alguns,
nunca se sabe.
Outros preferem um lugar mais familiar, como seu próprio quarto.
Chama-se amigos e convidados para uma festa, poupa-se o filho ainda novo na casa da avó.
Enquanto todos se divirtem juntos e drogados em um pequeno apartamento,
ele se enforca com o punho de sua rede preferida; sua avó mesmo quem teceu.
O poeta chocou à hora de morrer,
e no seu livrinho de missa de 7º dia, anuncia-se: 'O poeta não morreu'.
Eternizou-se em ato
(e mais uma vez)
faz crer que, em tempos faltosos, o suicídio é sim uma questão filosófica.
Seja o shopping, a droga, Lacan ou Graciliano Ramos.
Ainda há quem queira (e ainda hão de querer) um fim do mesmo,
E o lugar escolhido: àquele da moda!
Dizem os maus-agouros que o tal já está contaminado, já tem um 'chama'..
uma chama que arde sedenta por sangues novos e viris.
Não adiantam as grades, para tudo dá-se um jeito.
Ou um pulo.
Houve até despedida, carta e ligação;
faltou só chamar a imprensa ou postar logo no facebook.
Talvez chocasse mais, ou até agradasse alguns,
nunca se sabe.
Outros preferem um lugar mais familiar, como seu próprio quarto.
Chama-se amigos e convidados para uma festa, poupa-se o filho ainda novo na casa da avó.
Enquanto todos se divirtem juntos e drogados em um pequeno apartamento,
ele se enforca com o punho de sua rede preferida; sua avó mesmo quem teceu.
O poeta chocou à hora de morrer,
e no seu livrinho de missa de 7º dia, anuncia-se: 'O poeta não morreu'.
Eternizou-se em ato
(e mais uma vez)
faz crer que, em tempos faltosos, o suicídio é sim uma questão filosófica.
Seja o shopping, a droga, Lacan ou Graciliano Ramos.
Ainda há quem queira (e ainda hão de querer) um fim do mesmo,
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
aprendiz de morte
a espera desértica do encontro vazio da vida com seu fim.
pois para se morrer, é preciso se matar,
a cada instante meticuloso
de cada fio de cabelo arrancado,
a contra-acordos ulteriores.
e para cada pernóstico acorde,
tem-se uma fantasia estapafúrdia,
que talvez um dia se realize.
quando não, entra pra gaveta das ilusões roubadas e
secretamente alimentadas, regadas a inveja e insatisfação.
há dias, que ao abrir tal gaveta, se é engolida em exaustão
por romances, causos, análises, pessoas, não-deus e tantos outros escritos
que tentam tatear o vazio e conseguem mergulhar no prolixo devaneio de devanear
pois sem eles, as palavras engoliriam-na.
desde então ela vai tentando mordiscá-las,
(alfinetando-as com pontadas de sequidão)
pois para se morrer, é preciso se matar,
a cada instante meticuloso
de cada fio de cabelo arrancado,
a contra-acordos ulteriores.
e para cada pernóstico acorde,
tem-se uma fantasia estapafúrdia,
que talvez um dia se realize.
quando não, entra pra gaveta das ilusões roubadas e
secretamente alimentadas, regadas a inveja e insatisfação.
há dias, que ao abrir tal gaveta, se é engolida em exaustão
por romances, causos, análises, pessoas, não-deus e tantos outros escritos
que tentam tatear o vazio e conseguem mergulhar no prolixo devaneio de devanear
pois sem eles, as palavras engoliriam-na.
desde então ela vai tentando mordiscá-las,
(alfinetando-as com pontadas de sequidão)
sábado, 31 de julho de 2010
odem
o circuito uniformemente invariado da mente
te aprisiona onde mais temes/desejas,
fazendo voltar à cena vista a olhos nus
e palpitada a pedaços afiados de coração de vidro.
há (ai) um gostar, ainda que seja de sofrer!
ou apenas um funcionar acostumado de dendritos e axônios,
talvez herdados de células de outrora.
fato é que o medo, no fundo [(no fundo)] conforta,
pois já se sabe seu nome e seu prato preferido.
além de que quando em vez ele lava a louça e a roupa suja,
fazendo-te levantar do sofá e tentar piscar para o mundo.
te aprisiona onde mais temes/desejas,
fazendo voltar à cena vista a olhos nus
e palpitada a pedaços afiados de coração de vidro.
há (ai) um gostar, ainda que seja de sofrer!
ou apenas um funcionar acostumado de dendritos e axônios,
talvez herdados de células de outrora.
fato é que o medo, no fundo [(no fundo)] conforta,
pois já se sabe seu nome e seu prato preferido.
além de que quando em vez ele lava a louça e a roupa suja,
fazendo-te levantar do sofá e tentar piscar para o mundo.
terça-feira, 20 de julho de 2010
miséria humana
ai de quem mexer com a parte obscura que habita meu ser
pena é um sentimento que nem consegue mensurar o turbilhão retroativo
se seu jogo é sujo, lavo minha alma na lama que te alimenta,
depois, nem diabo, muito menos deus, abarcam as promessas e devaneios.
já que ajoelhou, reza, suplica, para a tua máscara aparentemente bem pregada, não se estraçalhar e a tua feiura de espírito alastrar o mundo (que está abarrotado de, diga-se de passagem)
podes enganar a todos, inclusive a si mesma, mas em relação a minha pessoa: só no pueril movimento das minhas cinzas queimadas ao vento.
enquanto vives a tua vidinha medíocre,
metaforizo o tempo/espaço que me devora em desalinho.
sei da inutilidade de tais ditos para sua cabecinha vazia incapaz de compreendê-los.
serei então rude e direta:
continue a abrir suas pernas
prefiro eu abrir a cabeça
um tanto quanto mais útil
=D
pena é um sentimento que nem consegue mensurar o turbilhão retroativo
se seu jogo é sujo, lavo minha alma na lama que te alimenta,
depois, nem diabo, muito menos deus, abarcam as promessas e devaneios.
já que ajoelhou, reza, suplica, para a tua máscara aparentemente bem pregada, não se estraçalhar e a tua feiura de espírito alastrar o mundo (que está abarrotado de, diga-se de passagem)
podes enganar a todos, inclusive a si mesma, mas em relação a minha pessoa: só no pueril movimento das minhas cinzas queimadas ao vento.
enquanto vives a tua vidinha medíocre,
metaforizo o tempo/espaço que me devora em desalinho.
sei da inutilidade de tais ditos para sua cabecinha vazia incapaz de compreendê-los.
serei então rude e direta:
continue a abrir suas pernas
prefiro eu abrir a cabeça
um tanto quanto mais útil
=D
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Augusto dos Anjos (e demônios)
Tristezas de um quarto-minguante
Quarto Minguante! E, embora a lua o aclare,
Este Engenho Pau d'Arco é muito triste...
Nos engenhos da várzea não existe
Talvez um outro que se lhe equipare!
Do observatório em que eu estou situado
A lua magra, quando a noite cresce,
Vista, através do vidro azul, parece
Um paralelepípedo quebrado!
O sono esmaga o encéfalo do povo.
Tenho 300 quilos no epigastro...
Dói-me a cabeça. Agora a cara do astro
Lembra a metade de uma casca de ovo.
Diabo! não ser mais tempo de milagre!
Para que esta opressão desapareça
Vou amarrar um pano na cabeça,
Molhar a minha fronte com vinagre.
Aumentam-se-me então os grandes medos.
O hemisfério lunar se ergue e se abaixa
Num desenvolvimento de borracha,
Variando à ação mecânica dos dedos!
Vai-me crescendo a aberração do sonho.
Morde-me os nervos o desejo doudo
De dissolver-me, de enterrar-me todo
Naquele semicírculo medonho!
Mas tudo isto é ilusão de minha parte!
Quem sabe se não é porque não saio
Desde que, 6a-feira, 3 de Maio,
Eu escrevi os meus Gemidos de Arte?!
A lâmpada a estirar línguas vermelhas
Lambe o ar. No bruto horror que me arrebata,
Como um degenerado psicopata
Eis-me a contar o número das telhas!
— Uma, duas, três, quatro... E aos tombos, tonta
Sinto a cabeça e a conta perco; e, em suma,
A conta recomeço, em ânsias: — Uma...
Mas novamente eis-me a perder a conta!
Sucede a uma tontura outra tontura.
— Estarei morto?! E a esta pergunta estranha
Responde a Vida — aquela grande aranha
Que anda tecendo a minha desventura! —
A luz do quarto diminuindo o brilho
Segue todas as fases de um eclipse...
Começo a ver coisas de Apocalipse
No triângulo escaleno do ladrilho!
Deito-me enfim. Ponho o chapéu num gancho.
Cinco lençóis balançam numa corda,
Mas aquilo mortalhas me recorda,
E o amontoamento dos lençóis desmancho.
Vêm-me à imaginação sonhos dementes.
Acho-me, por exemplo, numa festa...
Tomba uma torre sobre a minha testa,
Caem-me de uma só vez todos os dentes
Então dois ossos roídos me assombraram...
— Por ventura haverá quem queira roer-nos?!
Os vermes já não querem mais comer-nos
E os formigueiros já nos desprezaram.
Figuras espectrais de bocas tronchas
Tornam-me o pesadelo duradouro...
Choro e quero beber a água do choro
Com as mãos dispostas à feição de conchas.
Tal uma planta aquática submersa,
Antegozando as últimas delícias
Mergulho as mãos — vis raízes adventícias —
No algodão quente de um tapete persa.
Por muito tempo rolo no tapete.
Súbito me ergo. A lua é morta. Um frio
Cai sobre o meu estômago vazio
Como se fosse um copo de sorvete!
A alta frialdade me insensibiliza;
O suor me ensopa. Meu tormento é infindo...
Minha família ainda está dormindo
E eu não posso pedir outra camisa!
Abro a janela. Elevam-se fumaças
Do engenho enorme. A luz fulge abundante
E em vez do sepulcral Quarto-Minguante
Vi que era o sol batendo nas vidraças.
Pelos respiratórios tênues tubos
Dos poros vegetais, no ato da entrega
Do mato verde, a terra resfolega
Estrumada, feliz, cheia de adubos.
Côncavo, o céu, radiante e estriado, observa
A universal criação. Broncos e feios,
Vários reptis cortam os campos, cheios
Dos tenros tinhorões e da úmida erva.
Babujada por baixos beiços brutos,
No húmus feraz, herética, se ostenta
A monarquia da árvore opulenta
Que dá aos homens o óbolo dos frutos.
De mim diverso, rígido e de rastos
Com a solidez do tegumento sujo
Sulca, em diâmetro, o solo um caramujo
Naturalmente pelos mata-pastos.
Entretanto, passei o dia inquieto,
A ouvir, nestes bucólicos retiros,
Toda a salva fatal de 21 tiros
Que festejou os funerais de Hamleto!
Ah! Minha ruína é pior do que a de Tebas!
Quisera ser, mima última cobiça,
A fatia esponjosa de carniça
Que os corvos comem sobre as jurubebas!
Porque, longe do pão com que me nutres
Nesta hora, oh! Vida, em que a sofrer me exortas
Eu estaria como as bestas mortas
Pendurado no bico dos abutres!
Quarto Minguante! E, embora a lua o aclare,
Este Engenho Pau d'Arco é muito triste...
Nos engenhos da várzea não existe
Talvez um outro que se lhe equipare!
Do observatório em que eu estou situado
A lua magra, quando a noite cresce,
Vista, através do vidro azul, parece
Um paralelepípedo quebrado!
O sono esmaga o encéfalo do povo.
Tenho 300 quilos no epigastro...
Dói-me a cabeça. Agora a cara do astro
Lembra a metade de uma casca de ovo.
Diabo! não ser mais tempo de milagre!
Para que esta opressão desapareça
Vou amarrar um pano na cabeça,
Molhar a minha fronte com vinagre.
Aumentam-se-me então os grandes medos.
O hemisfério lunar se ergue e se abaixa
Num desenvolvimento de borracha,
Variando à ação mecânica dos dedos!
Vai-me crescendo a aberração do sonho.
Morde-me os nervos o desejo doudo
De dissolver-me, de enterrar-me todo
Naquele semicírculo medonho!
Mas tudo isto é ilusão de minha parte!
Quem sabe se não é porque não saio
Desde que, 6a-feira, 3 de Maio,
Eu escrevi os meus Gemidos de Arte?!
A lâmpada a estirar línguas vermelhas
Lambe o ar. No bruto horror que me arrebata,
Como um degenerado psicopata
Eis-me a contar o número das telhas!
— Uma, duas, três, quatro... E aos tombos, tonta
Sinto a cabeça e a conta perco; e, em suma,
A conta recomeço, em ânsias: — Uma...
Mas novamente eis-me a perder a conta!
Sucede a uma tontura outra tontura.
— Estarei morto?! E a esta pergunta estranha
Responde a Vida — aquela grande aranha
Que anda tecendo a minha desventura! —
A luz do quarto diminuindo o brilho
Segue todas as fases de um eclipse...
Começo a ver coisas de Apocalipse
No triângulo escaleno do ladrilho!
Deito-me enfim. Ponho o chapéu num gancho.
Cinco lençóis balançam numa corda,
Mas aquilo mortalhas me recorda,
E o amontoamento dos lençóis desmancho.
Vêm-me à imaginação sonhos dementes.
Acho-me, por exemplo, numa festa...
Tomba uma torre sobre a minha testa,
Caem-me de uma só vez todos os dentes
Então dois ossos roídos me assombraram...
— Por ventura haverá quem queira roer-nos?!
Os vermes já não querem mais comer-nos
E os formigueiros já nos desprezaram.
Figuras espectrais de bocas tronchas
Tornam-me o pesadelo duradouro...
Choro e quero beber a água do choro
Com as mãos dispostas à feição de conchas.
Tal uma planta aquática submersa,
Antegozando as últimas delícias
Mergulho as mãos — vis raízes adventícias —
No algodão quente de um tapete persa.
Por muito tempo rolo no tapete.
Súbito me ergo. A lua é morta. Um frio
Cai sobre o meu estômago vazio
Como se fosse um copo de sorvete!
A alta frialdade me insensibiliza;
O suor me ensopa. Meu tormento é infindo...
Minha família ainda está dormindo
E eu não posso pedir outra camisa!
Abro a janela. Elevam-se fumaças
Do engenho enorme. A luz fulge abundante
E em vez do sepulcral Quarto-Minguante
Vi que era o sol batendo nas vidraças.
Pelos respiratórios tênues tubos
Dos poros vegetais, no ato da entrega
Do mato verde, a terra resfolega
Estrumada, feliz, cheia de adubos.
Côncavo, o céu, radiante e estriado, observa
A universal criação. Broncos e feios,
Vários reptis cortam os campos, cheios
Dos tenros tinhorões e da úmida erva.
Babujada por baixos beiços brutos,
No húmus feraz, herética, se ostenta
A monarquia da árvore opulenta
Que dá aos homens o óbolo dos frutos.
De mim diverso, rígido e de rastos
Com a solidez do tegumento sujo
Sulca, em diâmetro, o solo um caramujo
Naturalmente pelos mata-pastos.
Entretanto, passei o dia inquieto,
A ouvir, nestes bucólicos retiros,
Toda a salva fatal de 21 tiros
Que festejou os funerais de Hamleto!
Ah! Minha ruína é pior do que a de Tebas!
Quisera ser, mima última cobiça,
A fatia esponjosa de carniça
Que os corvos comem sobre as jurubebas!
Porque, longe do pão com que me nutres
Nesta hora, oh! Vida, em que a sofrer me exortas
Eu estaria como as bestas mortas
Pendurado no bico dos abutres!
sábado, 3 de julho de 2010
A cura da solidão é a inteligência.
A do cinismo, podridão.
Seres carnais que morrem por medo,
já nos dizeres idosos: "o peru que morre de véspera"; só porque é véspera!
Espero eu que morram pela língua.
Viver de mentira não me dá tesão,
se há aqueles que se contentam com a rebarba alheia,
que se fartem então de restos mortais!
Quem sabe de uma sobra aculá fiques à sombra da mangueira.
Sendo assim, prefiro apodrecer com meus escritos e desconfiar até deles.
_____
Quando eu morrer, que emoldurem todos os quadros e façam uma ex-posição póstuma.
Igualmente na mesma linha de raciocínio, publiquem os escritos pós-tumos,
Não ser deste tempo é a única certeza que tenho, além da morte.
A do cinismo, podridão.
Seres carnais que morrem por medo,
já nos dizeres idosos: "o peru que morre de véspera"; só porque é véspera!
Espero eu que morram pela língua.
Viver de mentira não me dá tesão,
se há aqueles que se contentam com a rebarba alheia,
que se fartem então de restos mortais!
Quem sabe de uma sobra aculá fiques à sombra da mangueira.
Sendo assim, prefiro apodrecer com meus escritos e desconfiar até deles.
_____
Quando eu morrer, que emoldurem todos os quadros e façam uma ex-posição póstuma.
Igualmente na mesma linha de raciocínio, publiquem os escritos pós-tumos,
Não ser deste tempo é a única certeza que tenho, além da morte.
terça-feira, 15 de junho de 2010
deixe é de pequenez!
mesquinharias baratas e muros dependurados
uma carência incalculável,
medo de viver de verdade!
preferes viver à espreita,
confortando-se na força coletiva;
vampirescamente suga-te a alma
pra depois usá-la contra ti.
já eu, prefiro um banho de mar e distância:
diz, instância!
o que sinto é incapaz de ser representado, perdão.
Fico então com a mesquinhez da palavra.
_____
Pelo menos do meu sangue não terás uma gota.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Res-saca.

Resvalando-se em
momentâneos
tiques
amnésicos
despregados da realidade.
Quase tateando o sonho/a fantasia do buraco negro
que é o da mente.
Corpo encharcado,
digerindo teores álcoolicos acima do aceitável
O colchão que te suga
e pede que sirva-se de lombras.
E as lombrigas parecem gostar
Enquanto a cabeça, confusa, repensa uma vida inteira
Os anos, por suas (23) vezes, vão engolindo os desatinos
Assim se desencaixa a (hum)anidade.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Ex-(IN)cremento
excremento e incremento
na verdade eram a única e mesma coisa antes, nos primórdios arcaicos.
depois viu-se que nada é apenas uma coisa só,
onde há fogo, água;
amor, lhe odeio!
Ela se incrementa em alicerces comprados e bebidos.
A bebida, por sua vez, junto com o nojo de vida que se cultiva no escuro, excrementa-lhe com a mais penosa falta de conjuntura intestinal.
desenvolvimento fecal (intelectualzinho de merda) nas esquinas direitas e tortas.
E em cada mesa de bar um incremento distinto,
na vida privada, tudo do mesmo.
__
tenho preferido gestos a palavras.
na verdade eram a única e mesma coisa antes, nos primórdios arcaicos.
depois viu-se que nada é apenas uma coisa só,
onde há fogo, água;
amor, lhe odeio!
Ela se incrementa em alicerces comprados e bebidos.
A bebida, por sua vez, junto com o nojo de vida que se cultiva no escuro, excrementa-lhe com a mais penosa falta de conjuntura intestinal.
desenvolvimento fecal (intelectualzinho de merda) nas esquinas direitas e tortas.
E em cada mesa de bar um incremento distinto,
na vida privada, tudo do mesmo.
__
tenho preferido gestos a palavras.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Ave!
O espaço curto de intervalo entre a elucubração e o devaneio.
Certo dia, ouvi dizer de um enorme vazio entre um e outrem.
Discordei, afirmando ser uma vírgula de diferença,
Afinal toda elucubração que se preze
devaneou-se em sintaxes desvairadas
sedentas por serem ditas e repetidas
Não há o caminho in-verso,
apenas o verso versado
tantas vezes calado
Elu-cu-bração
O elo do cu com o bração.
O corpo entrecortado pela palavra!
___________
Dizia Guimarães Rosa: Ave Palavra!
Certo dia, ouvi dizer de um enorme vazio entre um e outrem.
Discordei, afirmando ser uma vírgula de diferença,
Afinal toda elucubração que se preze
devaneou-se em sintaxes desvairadas
sedentas por serem ditas e repetidas
Não há o caminho in-verso,
apenas o verso versado
tantas vezes calado
Elu-cu-bração
O elo do cu com o bração.
O corpo entrecortado pela palavra!
___________
Dizia Guimarães Rosa: Ave Palavra!
domingo, 25 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
sub-imundo
Imundície algoz à luz solar
inunda-te de resíduos ácidos e,
comprometer-dores.
O lixo milionário que vive às custas da fome
e da fé num deus com letra minúscula (Maiúscula, (in)felizmente para muitos, quase todos)
Ganância e inveja, frutos, sem ser de comer, mas que devoram os quem acometidos.
Meter guela a dentro (ou a fora) o de comer,
sem alimentar a alma, pois não se sabe fome de quê.
Hoje, anoréxicas de espírito e corpo colorem as telas consumidoras de lixo.
No fim das contas, tudo vira dinheiro, ainda que virtual.
E o que era humano, começa a virar um sistema palpável de lógicas binárias combinadas.
Resultado: Dinheiro (e lixo)
Para todas as outras coisas, existem seus 3 cartões de crédito!
Aproveita e parcela tua alma.
Rumores rumam que no Inferno sai até mais caro.
_____
Tralha:
5. Infrm. Acervo de várias coisas em desordem.
inunda-te de resíduos ácidos e,
comprometer-dores.
O lixo milionário que vive às custas da fome
e da fé num deus com letra minúscula (Maiúscula, (in)felizmente para muitos, quase todos)
Ganância e inveja, frutos, sem ser de comer, mas que devoram os quem acometidos.
Meter guela a dentro (ou a fora) o de comer,
sem alimentar a alma, pois não se sabe fome de quê.
Hoje, anoréxicas de espírito e corpo colorem as telas consumidoras de lixo.
No fim das contas, tudo vira dinheiro, ainda que virtual.
E o que era humano, começa a virar um sistema palpável de lógicas binárias combinadas.
Resultado: Dinheiro (e lixo)
Para todas as outras coisas, existem seus 3 cartões de crédito!
Aproveita e parcela tua alma.
Rumores rumam que no Inferno sai até mais caro.
_____
Tralha:
5. Infrm. Acervo de várias coisas em desordem.
domingo, 14 de março de 2010
meta-jargão
e acima de tudo, quem me ensinou as letras foi Ele
meu karma então é escrever, ler em desespero
na busca desenfreada pelo entender
porque quando o apreendi (e apanhei para isso)
achei que ia ser possível ler o mundo
assim como eu titubeava em ler a palavra
simplesmente há horas em que se deve
baixar a cabeça
e se lembrar do dia dos finados
pois ainda há um quê de subversão gráfica
pode-se tudo por escrito,
nomeiam-se existências e personalidades
a fala falha.
a escrita brinca
a escrita escreve o jeito da fala
ser inscreve
meu karma então é escrever, ler em desespero
na busca desenfreada pelo entender
porque quando o apreendi (e apanhei para isso)
achei que ia ser possível ler o mundo
assim como eu titubeava em ler a palavra
simplesmente há horas em que se deve
baixar a cabeça
e se lembrar do dia dos finados
pois ainda há um quê de subversão gráfica
pode-se tudo por escrito,
nomeiam-se existências e personalidades
a fala falha.
a escrita brinca
a escrita escreve o jeito da fala
ser inscreve
quarta-feira, 10 de março de 2010
debulho
dupla-face
multinterpluri-personalidades
tantos sem-tidos
zero light vida
___
e como diz a Gal:
tudo certo como 2 e 2 são 5
multinterpluri-personalidades
tantos sem-tidos
zero light vida
___
e como diz a Gal:
tudo certo como 2 e 2 são 5
terça-feira, 2 de março de 2010
anti
subterfúgio aquoso, quase liquefeito
liquidifica a polpa dos sonhos
e finge que mata a sede dos terráqueos
que usam e abusam do poder de metaforizar
e ficam só nisso.
contando com água e merda pra beber
sol e chuva a destruir
pane mental a paralizar
super-seres-humanos a se transformarem..
em bosta pura
____
canafístula
s. f.
Bot. Planta faseolácea medicinal.
E também interior cearense
liquidifica a polpa dos sonhos
e finge que mata a sede dos terráqueos
que usam e abusam do poder de metaforizar
e ficam só nisso.
contando com água e merda pra beber
sol e chuva a destruir
pane mental a paralizar
super-seres-humanos a se transformarem..
em bosta pura
____
canafístula
s. f.
Bot. Planta faseolácea medicinal.
E também interior cearense
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Viva à arte de ouvir mesma canção talvez vinte vezes ao dia;
e mesmo assim ainda achá-la inacreditável!
Viva à sutileza de escrever o que não ousa ser falado.
Ao esquecimento diário necessário,
quando em muito ativado pela planta.
Que nem raiz, o cérebro ramifica seguindo o rumo
indica(do).
Antes construir para destruir do que seu inverso.
__
Incandear-se de mentiras concisas para o seguinte deleite de cabra.
Perder a noção do sentido para achar o buraco contido
...
e mesmo assim ainda achá-la inacreditável!
Viva à sutileza de escrever o que não ousa ser falado.
Ao esquecimento diário necessário,
quando em muito ativado pela planta.
Que nem raiz, o cérebro ramifica seguindo o rumo
indica(do).
Antes construir para destruir do que seu inverso.
__
Incandear-se de mentiras concisas para o seguinte deleite de cabra.
Perder a noção do sentido para achar o buraco contido
...
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
a mulher-mosca
transeunte imaginação insistente de conteúdos oníricos subjacentes
o que fica debaixo do tapete é o medo de baratas,
a pulga atrás da orelha habitual
e os macacos que me devoram semânticamente.
de metáfora em meta-fora se enche um barril de cervejas(tezas)!
e viva os domingos bebidos à contra-gotas.
cada lágrima estendida no varal das ilusões compradas
vale um tostão de coragem vendida a preço de banana
e novamente os macacos..
[até eles aprenderam a viver em família]
sendo que o tesão pela vida quem tem é Ela, a mulher-mosca.
É chata como as moscas e insistente igualmente
e todo dia morre e nasce
e morre
e nasce
outra mosca
vida curta, corta corta, CURTA!
____
colacia: intimidade
o que fica debaixo do tapete é o medo de baratas,
a pulga atrás da orelha habitual
e os macacos que me devoram semânticamente.
de metáfora em meta-fora se enche um barril de cervejas(tezas)!
e viva os domingos bebidos à contra-gotas.
cada lágrima estendida no varal das ilusões compradas
vale um tostão de coragem vendida a preço de banana
e novamente os macacos..
[até eles aprenderam a viver em família]
sendo que o tesão pela vida quem tem é Ela, a mulher-mosca.
É chata como as moscas e insistente igualmente
e todo dia morre e nasce
e morre
e nasce
outra mosca
vida curta, corta corta, CURTA!
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colacia: intimidade
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
tempo?
anuviando-se de incertezas dubladas dribladas mundo a dentro
escapando de raios que o partam céu a fora
entendendo que amar é muito mais difícil do que sofrer de amor
e delatando meus segredos mortais antes que alguém mais desapareça do campo de alcance
...
descobrindo que existem fatos e feitos que ensinam mais do que o amigo tempo
e se deliciando com o gosto azedoce de viver realmente a própria vida
algo para chamar de seu
______
mó: pedra em que se amolam instrumentos cortantes ou perfurantes.
escapando de raios que o partam céu a fora
entendendo que amar é muito mais difícil do que sofrer de amor
e delatando meus segredos mortais antes que alguém mais desapareça do campo de alcance
...
descobrindo que existem fatos e feitos que ensinam mais do que o amigo tempo
e se deliciando com o gosto azedoce de viver realmente a própria vida
algo para chamar de seu
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mó: pedra em que se amolam instrumentos cortantes ou perfurantes.
domingo, 24 de janeiro de 2010
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
silêncio aurífero
hoje além do mijo habitual, o mar levou o choro
pela primeira vez lágrimas de dor sucumbiram às grandes lágrimas da existência
o mar chorou concomitante
sem pontos, apenas vírgulas
e hoje a nostalgia morou em mim
porta-vassoura-estandarte mode ela ir embora
____
Pai dos burros:
estandarte: 5. Bot. Pétala superior das flores papilionáceas(?).
pela primeira vez lágrimas de dor sucumbiram às grandes lágrimas da existência
o mar chorou concomitante
sem pontos, apenas vírgulas
e hoje a nostalgia morou em mim
porta-vassoura-estandarte mode ela ir embora
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Pai dos burros:
estandarte: 5. Bot. Pétala superior das flores papilionáceas(?).
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
psiu
Suportando o silêncio da música..
Os intervalos entrecortados pela constante vibração audífera.
Esses é que dizem, quase gritam pele a fora.
A respiração é quem se delata, levando coração, alma a dentro.
Papocando baixinho do lado esquerdo.
Até ir.
Deixe-me aqui a degladiar com meu próprio gritante ensurdecedor (silêncio).
!
Os intervalos entrecortados pela constante vibração audífera.
Esses é que dizem, quase gritam pele a fora.
A respiração é quem se delata, levando coração, alma a dentro.
Papocando baixinho do lado esquerdo.
Até ir.
Deixe-me aqui a degladiar com meu próprio gritante ensurdecedor (silêncio).
!
domingo, 10 de janeiro de 2010
vice-morte
É preciso quase sempre arrancar um braço para ficar boa dos olhos e ouvidos.
Depois arranca-se um cabelo e fica boa do braço.
O jogo do despedaço e conseguinte remonte.
Os cortes de morte em vida apontam para uma esperança: ficar boa da cabeça.
Reciclar o lixo mental e separar o orgânico do resto inútil.
Evacuar resíduos poucos e desnecessários.
Simplicidade e (com)cisão.
___
e do Fela:
Anikulapo ‘aquele que carrega a morte no bolso’
Depois arranca-se um cabelo e fica boa do braço.
O jogo do despedaço e conseguinte remonte.
Os cortes de morte em vida apontam para uma esperança: ficar boa da cabeça.
Reciclar o lixo mental e separar o orgânico do resto inútil.
Evacuar resíduos poucos e desnecessários.
Simplicidade e (com)cisão.
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e do Fela:
Anikulapo ‘aquele que carrega a morte no bolso’
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