não há o que ser dito
tampouco escutado
aqui escrito, morre como o tempo
sem deixar vestígios litigiosos inúteis
que em nada acrescentam na dor por escrito.
se há de doer, que doa
e se há de escrever, que se façam ex-cristos, desamém!
e não esperar nada em troca
nem um, dois entendimentos quais quereres
tão pouco concordâncias pseudo-ideais
de seres cada quais
____
guache:
ave negra, de cauda amarela, aproximadamente do tamanho de uma pomba.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
Fragmentos de uma flor despedaçada
Despedaçaram-na, como quem despedaça uma existência em segundos.
E sua existência em segundos foi roubada, como quem rouba chocolates no supermercado, assim por nada.
E foi por quase nada que a flor se achou enganada, descobrindo desde então que ao seu redor não existia apenas a cor rosa, mas que o preto e o vermelho pigmentavam sensações e descoloriam a possibilidade de um mundo feito aqueles de ‘faz-de-conta’ que fazem questão de pintar para as florinhas no começo do desabrocho.
A pequena flor despedaçada só se deu conta do feito ao de fato desabrochar e assim foi tentando, correndo contra o tempo, juntar alguns pedaços e continuar.
Era difícil retomar, até que a flor começou a se inventar e em meio aos contratempos, parou de se lamentar, pois ela exalava a mais, exatamente pela tamanha dor que trazia consigo.
Dor essa que não era de sacrifício, não mais. Era uma dor que mexia assim, fazendo a flor criar pequenos pedacinhos de si, para depois se dar, ao mundo e principalmente à sua existência, que era só sua e de mais ninguém.
A flor florida não deixa mais roubarem seus pedaços, tampouco permite alguém entrar sem pedir licença.
E sua existência em segundos foi roubada, como quem rouba chocolates no supermercado, assim por nada.
E foi por quase nada que a flor se achou enganada, descobrindo desde então que ao seu redor não existia apenas a cor rosa, mas que o preto e o vermelho pigmentavam sensações e descoloriam a possibilidade de um mundo feito aqueles de ‘faz-de-conta’ que fazem questão de pintar para as florinhas no começo do desabrocho.
A pequena flor despedaçada só se deu conta do feito ao de fato desabrochar e assim foi tentando, correndo contra o tempo, juntar alguns pedaços e continuar.
Era difícil retomar, até que a flor começou a se inventar e em meio aos contratempos, parou de se lamentar, pois ela exalava a mais, exatamente pela tamanha dor que trazia consigo.
Dor essa que não era de sacrifício, não mais. Era uma dor que mexia assim, fazendo a flor criar pequenos pedacinhos de si, para depois se dar, ao mundo e principalmente à sua existência, que era só sua e de mais ninguém.
A flor florida não deixa mais roubarem seus pedaços, tampouco permite alguém entrar sem pedir licença.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Sobre a tragicidade de se (ex)istir.
Pensando o suicídio I
Através de um olhar psi, como ser ético quando alguém que se deu conta da inutilidade de sua vida decide pôr fim à palhaçada que vem vivendo?
Determinado dia, a mãe chega dizendo do fulano, aquele que morava na beira mar, casado com a dona sicraninha, aliás, recém-separado, já engatado com outra novinha bonitinha. Perguntou-me se eu o lembrava. Num dia difícil, já fui lhe respondendo com certo desdenho, porém já me justificando com o argumento de que jamais seria uma boa psicóloga, pois achava justo que ele pulasse de sua cobertura luxuosa da beira-mar, desde que se tenha chegado à conclusão de que se tinha tudo e, impreterivelmente, nada.
O bolo da cereja foi lhe dizer que havia muita gente inútil no mundo e que há muito não havia guerras ou pestes.
Pensando o suicídio II
Dono de grande empresa fazedora de jornal depois de almoçar tranquilamente, talvez o prato preferido, sobe para fazer a sesta e papoca a aresta de seu juízo final. Por que alguém terá que impedi-lo, se ele decidiu o melhor para si?
Dever-se-ia lutar pela eutanásia da alma. Talvez a única liberdade ínfima do ser finito.
Um filme* de meu apreço anuncia que o suicídio é uma questão filosófica. Qual é a pretensão dos “curadores” da alma; quem se quer salvar e de quê?
Pensando o suicídio III
Garoto(a) emotivo(a) após uma suposta partida de RPG (Role Playing Games) sobe no shopping e pula sobre farmácias e bolsas. Familiar meu que participa dos jogos me chama para ir um dia ver, fazer um estudo. Disse que já tinha gente da psicologia engajada, fazendo trabalhos(!).
O que se quer explicar com inúmeras articulações teórico-práticas acerca de comportamentos, personalidades e outros seres?
No fim se quer 15 minutos de fama na Grande Outra Telona. Com todas as licenças lacanianas, grata. Também estamíricas, onde o que vale é o trocadilo do esperto ao contrário.
Nessa briga de foice, uma foice de isopor construída por eles mesmos, na lata do luxo vão parar ilusões, sexo e questões de gênero.
*filme: Persépolis.
Através de um olhar psi, como ser ético quando alguém que se deu conta da inutilidade de sua vida decide pôr fim à palhaçada que vem vivendo?
Determinado dia, a mãe chega dizendo do fulano, aquele que morava na beira mar, casado com a dona sicraninha, aliás, recém-separado, já engatado com outra novinha bonitinha. Perguntou-me se eu o lembrava. Num dia difícil, já fui lhe respondendo com certo desdenho, porém já me justificando com o argumento de que jamais seria uma boa psicóloga, pois achava justo que ele pulasse de sua cobertura luxuosa da beira-mar, desde que se tenha chegado à conclusão de que se tinha tudo e, impreterivelmente, nada.
O bolo da cereja foi lhe dizer que havia muita gente inútil no mundo e que há muito não havia guerras ou pestes.
Pensando o suicídio II
Dono de grande empresa fazedora de jornal depois de almoçar tranquilamente, talvez o prato preferido, sobe para fazer a sesta e papoca a aresta de seu juízo final. Por que alguém terá que impedi-lo, se ele decidiu o melhor para si?
Dever-se-ia lutar pela eutanásia da alma. Talvez a única liberdade ínfima do ser finito.
Um filme* de meu apreço anuncia que o suicídio é uma questão filosófica. Qual é a pretensão dos “curadores” da alma; quem se quer salvar e de quê?
Pensando o suicídio III
Garoto(a) emotivo(a) após uma suposta partida de RPG (Role Playing Games) sobe no shopping e pula sobre farmácias e bolsas. Familiar meu que participa dos jogos me chama para ir um dia ver, fazer um estudo. Disse que já tinha gente da psicologia engajada, fazendo trabalhos(!).
O que se quer explicar com inúmeras articulações teórico-práticas acerca de comportamentos, personalidades e outros seres?
No fim se quer 15 minutos de fama na Grande Outra Telona. Com todas as licenças lacanianas, grata. Também estamíricas, onde o que vale é o trocadilo do esperto ao contrário.
Nessa briga de foice, uma foice de isopor construída por eles mesmos, na lata do luxo vão parar ilusões, sexo e questões de gênero.
*filme: Persépolis.
sábado, 28 de novembro de 2009
Solitária (e produtiva) mesa de bar
A dama da (des)honra amaldiçoa a junção alheia e pragueja a céu (inferno) aberto até quem não deseja ouvi-la.
A inveja lhe traga como o derradeiro cigarro que mata cancerígeno.
O câncer lhe corrói as entranhas da desonestidade para consigo própria.
A morte lenta e gradual impedindo a vida natural.
A vítima, talvez nem escolhida a dedo, acomete-se da ambigüidade dos sentimentos.
E tenta minimamente seguir o caminhos do (com)senso, sem carregar as dores do mundo, apesar da vontade de.
Bem queria ajudar todos a se salvarem, mas tem gentes que não precisam, tampouco merecem.
A morte é então a solução mais palpável em questão.
O alívio da sua dor no (des)prazer do Outro.
A maldade maquiada de seu oposto em prol do rótulo hiper moderno do momento último.
A sabedoria clandestina, roubada de cliques frenéticos mal-resolvidos, que viram fantasmas sedentos por acertarem suas contas com a Terra.
Pois morram de sede do deserto da insignificância!
E que nunca se alimentem da plena fome de existir.
Insaciável desejo de se colocar à espreita de outrem, tentando se enxergar através do vidro embaçado.
Que sua cegueira permaneça quase que intacta, pois só assim será incapaz de decifrar o lugar de onde vos falo.
De certa forma, preciso que sejas assim presa a sua ilusão.
Já eu, prefiro me iludir com as realidades cotidianas que me devoram em paulatino.
A inveja lhe traga como o derradeiro cigarro que mata cancerígeno.
O câncer lhe corrói as entranhas da desonestidade para consigo própria.
A morte lenta e gradual impedindo a vida natural.
A vítima, talvez nem escolhida a dedo, acomete-se da ambigüidade dos sentimentos.
E tenta minimamente seguir o caminhos do (com)senso, sem carregar as dores do mundo, apesar da vontade de.
Bem queria ajudar todos a se salvarem, mas tem gentes que não precisam, tampouco merecem.
A morte é então a solução mais palpável em questão.
O alívio da sua dor no (des)prazer do Outro.
A maldade maquiada de seu oposto em prol do rótulo hiper moderno do momento último.
A sabedoria clandestina, roubada de cliques frenéticos mal-resolvidos, que viram fantasmas sedentos por acertarem suas contas com a Terra.
Pois morram de sede do deserto da insignificância!
E que nunca se alimentem da plena fome de existir.
Insaciável desejo de se colocar à espreita de outrem, tentando se enxergar através do vidro embaçado.
Que sua cegueira permaneça quase que intacta, pois só assim será incapaz de decifrar o lugar de onde vos falo.
De certa forma, preciso que sejas assim presa a sua ilusão.
Já eu, prefiro me iludir com as realidades cotidianas que me devoram em paulatino.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Apêlo
E mais uma vez o drama de novela mexicana, passando pela quinta vez em diferente emissora de outrora se instala em sua dura cuca.
Há por ali por trás um desejo disto, além de incontáveis horas gastas, neurônios pestanejados e assuntos posteriores discutidos em prol de uma novelinha despretensiosa qualquer.
Tenho lá minhas dúvidas se isto de algum modo registrou algo de particular (de partícula mesmo) nos neurotransmissores diversos.
Desde que tenho visto quase nada de te-vê as amarras se soltam, e o mergulho é cada vez mais profundo no interior da dimensão obscura.
É claro que a caixa eletromagnética ainda faz parte da composição de minhas imagéticas, fazendo dos grandes clássicos de cinema mundial os norteadores da conduta.
Já que somos obrigados a sofrer, que seja com classe. E como não temos escolha quando o assunto são ondas eletromagnéticas, é preferível que se afine o gosto para o diferente e o polêmico trazido pelo cinema. Tentativa, ainda que vâ, como muitos crêem, de sair do padrão de personagens, enredo, desfecho, além de notícias, desastres e catástrofes administrados pela mídia.
Não que não existam ideais de beleza, valores e posturas promulgados através do cinema, mas dependendo do que for escolhido para a ocasião, tabus acerca da morte e sexualidade podem ser mentalmente estimulados.
Além de colocar em evidência um quê de bizarrice na caretice que vive o pacato cidadão.
___
Escrito completamente influenciado pelo desprezo de Godard, onde Bardot rompe com o drama mexicano e abandona seu homem, morrendo em seguida num trágico acidente de carro.
Há por ali por trás um desejo disto, além de incontáveis horas gastas, neurônios pestanejados e assuntos posteriores discutidos em prol de uma novelinha despretensiosa qualquer.
Tenho lá minhas dúvidas se isto de algum modo registrou algo de particular (de partícula mesmo) nos neurotransmissores diversos.
Desde que tenho visto quase nada de te-vê as amarras se soltam, e o mergulho é cada vez mais profundo no interior da dimensão obscura.
É claro que a caixa eletromagnética ainda faz parte da composição de minhas imagéticas, fazendo dos grandes clássicos de cinema mundial os norteadores da conduta.
Já que somos obrigados a sofrer, que seja com classe. E como não temos escolha quando o assunto são ondas eletromagnéticas, é preferível que se afine o gosto para o diferente e o polêmico trazido pelo cinema. Tentativa, ainda que vâ, como muitos crêem, de sair do padrão de personagens, enredo, desfecho, além de notícias, desastres e catástrofes administrados pela mídia.
Não que não existam ideais de beleza, valores e posturas promulgados através do cinema, mas dependendo do que for escolhido para a ocasião, tabus acerca da morte e sexualidade podem ser mentalmente estimulados.
Além de colocar em evidência um quê de bizarrice na caretice que vive o pacato cidadão.
___
Escrito completamente influenciado pelo desprezo de Godard, onde Bardot rompe com o drama mexicano e abandona seu homem, morrendo em seguida num trágico acidente de carro.
sábado, 14 de novembro de 2009
Morte à mãe e outras coisas má(i)s
Se houvesse a pílula da morte, eu a tomaria em silêncio.
Para fingir que acredito no delírio do medo e acordar num outro dia, apenas isto.
Minguou-se a lua de vermelho sangue derramado.
Ainda mórbida, suspiro em meio segundo e sigo, às vezes sorrindo meia boca, muitas outras surgindo (e saindo) apressadamente.
Tomaria também você em alternados goles, curtos e apreciáveis; longos e substanciais.
Para me fartar do furo imaginário que tanto me afugenta.
E me furtar da delicadeza que me foi roubada, em busca da ino(ciência).
Intervenção cúbica contemporânea.
O que dói vem de anos-luzes, planeta Terra.
E o que se destrói se estilhaça no chão, para em pequenos cacos compor belo mosaico de alma fragmentada.
Estou muito bem, não obrigada!
Para fingir que acredito no delírio do medo e acordar num outro dia, apenas isto.
Minguou-se a lua de vermelho sangue derramado.
Ainda mórbida, suspiro em meio segundo e sigo, às vezes sorrindo meia boca, muitas outras surgindo (e saindo) apressadamente.
Tomaria também você em alternados goles, curtos e apreciáveis; longos e substanciais.
Para me fartar do furo imaginário que tanto me afugenta.
E me furtar da delicadeza que me foi roubada, em busca da ino(ciência).
Intervenção cúbica contemporânea.
O que dói vem de anos-luzes, planeta Terra.
E o que se destrói se estilhaça no chão, para em pequenos cacos compor belo mosaico de alma fragmentada.
Estou muito bem, não obrigada!
sábado, 7 de novembro de 2009
algo de começo
O corpo marcado vibra na intensidade do espaço se chocando com as estrelas.
E se desmancha no verde-azul mar morno contendo vidas.
Enrijece-se com o vento gélido da sombra entrecortada pelo sombrio.
E se ateia fogo, álcool e brasas, em tentativa vã de (?)
Engole o último suspiro acompanhado de choro e lava o (pen)último golpe de alma.
O corte influenciado pelo que se vê na [tevê(lesão)].
Nos limiares da profundidade é que se enxergam as dores alheias alhures da (com)fluência da relação.
Nos limites do silêncio são sentidas todas as sensações sem ser dita a palavra se-quer.
Na superfície do bom-senso (não) se invade o buraco negro imprevisível da alma auto-corrosiva.
E se desmancha no verde-azul mar morno contendo vidas.
Enrijece-se com o vento gélido da sombra entrecortada pelo sombrio.
E se ateia fogo, álcool e brasas, em tentativa vã de (?)
Engole o último suspiro acompanhado de choro e lava o (pen)último golpe de alma.
O corte influenciado pelo que se vê na [tevê(lesão)].
Nos limiares da profundidade é que se enxergam as dores alheias alhures da (com)fluência da relação.
Nos limites do silêncio são sentidas todas as sensações sem ser dita a palavra se-quer.
Na superfície do bom-senso (não) se invade o buraco negro imprevisível da alma auto-corrosiva.
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