domingo, 8 de abril de 2012

à-judas

quanta coincidência um sábado de aleluia cair no dia de seu aniversário;
presente mais merecido que este, conspiração nenhuma podia lhe dar.

no entanto, haja com ou sem inspiração, quase nada abate o seu mosaico de vidrinhos quebrados, vulgo dito alma, ou racional e pejorativamente, perversão. 


mesmo que tais palavras possam não lhe chegar, acredito que devo tirá-las de dentro de mim,
como que forjando uma fogueira.
meu inconsciente transborda em chamas querendo queimar a judas.
ajudas transvestidas iscariotes, morra pela palavra negada e o ato consumado.



eu morrerei tentando confiar no ser humano, amém!
(um pouco de páscoa para os corações ateus)

um tico de esperança para os pedaços recolhidos da lama da miséria;

ainda me lembro de você, sim, dificilmente esquecerei.
desejo-a em dobro tudo o que você um dia invejou de mim.
talvez o triplo, até.
só pra perceber que nem era grandes coisas assim.


;)

quinta-feira, 15 de março de 2012

e o cu vai bem?

a ignorância é uma benção!
saber demais (ou pior: achar que sabe demais) é um veneno que carcome por dentro tua entranha mais profunda.
e pouco adianta saber seu nome científico e função dentro do organismo.
o célebre cérebro é quem (des)coordena o tal suposto equilíbrio homeostático;
pregando peças e afrouxando parafusos, estes que demoraram tanto tempo sendo apertados.


não adianta o pós-doc, um dia cairemos em alguma armadilha neurosináptica qualquer!
e na fila da emergência, pessoas outras com o mesmo sintoma: o nada.
o vazio de sentido, o buraco negro dito contemporâneo que faz palpitar o coração e apertar o peito.


no fim, não há nada no seu coração e tudo no seu cereBELO.
decide-se então procurar um analista no lugar de um cardiologista.


especialistas na sub-era da informação!


antes, procuravam-se os eus.
algum 'ista' achará o meu?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012



dois amigos, o amigo, a amiga conversando sobre seus supostos projetos malacadêmicos:

tá parecendo um projeto agora


antes tava a cara daquelas obras da copa

__


o meu tá parecendo os 3 prédios que desabaram no rio!


em resposta a uma amiga, sobre o mesmíssimo assunto, a amiga:


tirei os mortos debaixo dos escombros, limpei boa parte da área, o que me deixou com pouquíssima coisa! em suma um muro mal acimentado de meia lauda e meia viga.
4 mortos não encontrados, processo de escavações até amanhã pela noite.




e a dura arte de cavucar a terra mode achar o juízo que foi enterrado.
escrever é mexer no baú das incertezas dos achados e perdidos!



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

corte

a tesoura do desejo corta mais uma vez os pêlos,
pelas necessidades diárias dos pensamentos inoportunos desaguarem em abismos sem volta.


a cabeça apela pelo sossego,
silenciado na surdina imensidão do não-pensar.


o corte é a morte do caminhar,
que aos tropeços dobra esquinas de peleja.


tentando chegar em algum lugar para chamar de seu!

sábado, 21 de janeiro de 2012

aos que se dizem artistas

[Cansado da fome espiritual
Em meio a um deserto triste meu caminho fiz, 
E um anjo de seis asas veio a mim 
Num lugar onde havia uma encruzilhada. 

Com dedos leves como o sono 
Tocou as pupilas de meus olhos 
E minhas proféticas pupilas abriu 
Como olhos de águia assustada. 

Quando seus dedos tocaram meus ouvidos, 
Estes se encheram de rugidos e clangores 
E ouvi o tremor do céu 
E o vôo do anjo da montanha 
E animais marinhos nas profundezas 
E crescer a videira do vale. 

E então, pressionou-me a boca 
E arrancou-me a língua pecadora, 
E toda a sua malícia e palavras vãs, 
E tomando a língua de uma sábia serpente 
Introduziu-a em minha boca gelada 
Com sua mão direita encarnada. 

Então, com sua espada, abriu meu peito 
E arrancou-me o coração fremente, 
E no vazio de meu peito colocou 
Um pedaço de carvão em chamas. 

Fiquei como um cadáver, deitado no deserto, 
E ouvi a voz de Deus clamar: “Levanta, profeta, e vê e ouve, 
Sê portador da minha vontade- 
Atravessa terras e mares 
E incendeia o coração dos homens com o verbo.”] 


Alexander Puchkin 1826

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

o cheio de vazio

a pulga que cá se instaurou (aqui onde se ouve qualquer silêncio des-com-passado) insiste em saltar aos olhos de quem já cansou a vista;

se ao menos a metáfora valesse à pena,
mas soçobra a meta-foda, a desgastadas penas (de galinha).

canja metaforico-intelectual para se dizer pouca coisa;
rodeando, como se diz.

preencha-te de outros sulcos mnêmicos-pseudo-energéticos,
que não os meus!

sábado, 30 de outubro de 2010

lalangue

Desdobrando a clareza (incompatível) de não conseguir disfarçar o mistério envolvente.
E para cada olhar estuprador teu,
um pensamento malévolo constituinte.
A cada sobrancelha levantada,
um palpite duvidosamente assertivo.
Mas para cada fuga tua,
uma alfinetada de enxada no lalá do até onde as palavras conseguem manusear.

sábado, 16 de outubro de 2010

enquanto isso, na aldeota alheia.

E pula mais um desespero da cabeça saltitante incompreendida.
E o lugar escolhido: àquele da moda!
Dizem os maus-agouros que o tal já está contaminado, já tem um 'chama'..
uma chama que arde sedenta por sangues novos e viris.
Não adiantam as grades, para tudo dá-se um jeito.

Ou um pulo.

Houve até despedida, carta e ligação;
faltou só chamar a imprensa ou postar logo no facebook.
Talvez chocasse mais, ou até agradasse alguns,
nunca se sabe.

Outros preferem um lugar mais familiar, como seu próprio quarto.
Chama-se amigos e convidados para uma festa, poupa-se o filho ainda novo na casa da avó.
Enquanto todos se divirtem juntos e drogados em um pequeno apartamento,
ele se enforca com o punho de sua rede preferida; sua avó mesmo quem teceu.

O poeta chocou à hora de morrer,
e no seu livrinho de missa de 7º dia, anuncia-se: 'O poeta não morreu'.
Eternizou-se em ato
(e mais uma vez)
faz crer que, em tempos faltosos, o suicídio é sim uma questão filosófica.

Seja o shopping, a droga, Lacan ou Graciliano Ramos.

Ainda há quem queira (e ainda hão de querer) um fim do mesmo,

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

o dito esquecido sintomático corrói entranha a dentro a pestana castigada por pestanejar

o não-lembrar acaba sendo mais confortável e seguro diante daquilo tudo que se esconjurou

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

um estupro egóico

[...]

e se precisasse dizer algo mais,


___
para bom jogador, meio blefe.