sábado, 28 de novembro de 2009

Solitária (e produtiva) mesa de bar

A dama da (des)honra amaldiçoa a junção alheia e pragueja a céu (inferno) aberto até quem não deseja ouvi-la.
A inveja lhe traga como o derradeiro cigarro que mata cancerígeno.
O câncer lhe corrói as entranhas da desonestidade para consigo própria.

A morte lenta e gradual impedindo a vida natural.
A vítima, talvez nem escolhida a dedo, acomete-se da ambigüidade dos sentimentos.
E tenta minimamente seguir o caminhos do (com)senso, sem carregar as dores do mundo, apesar da vontade de.

Bem queria ajudar todos a se salvarem, mas tem gentes que não precisam, tampouco merecem.
A morte é então a solução mais palpável em questão.
O alívio da sua dor no (des)prazer do Outro.

A maldade maquiada de seu oposto em prol do rótulo hiper moderno do momento último.
A sabedoria clandestina, roubada de cliques frenéticos mal-resolvidos, que viram fantasmas sedentos por acertarem suas contas com a Terra.
Pois morram de sede do deserto da insignificância!
E que nunca se alimentem da plena fome de existir.

Insaciável desejo de se colocar à espreita de outrem, tentando se enxergar através do vidro embaçado.
Que sua cegueira permaneça quase que intacta, pois só assim será incapaz de decifrar o lugar de onde vos falo.
De certa forma, preciso que sejas assim presa a sua ilusão.

Já eu, prefiro me iludir com as realidades cotidianas que me devoram em paulatino.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Apêlo

E mais uma vez o drama de novela mexicana, passando pela quinta vez em diferente emissora de outrora se instala em sua dura cuca.
Há por ali por trás um desejo disto, além de incontáveis horas gastas, neurônios pestanejados e assuntos posteriores discutidos em prol de uma novelinha despretensiosa qualquer.
Tenho lá minhas dúvidas se isto de algum modo registrou algo de particular (de partícula mesmo) nos neurotransmissores diversos.
Desde que tenho visto quase nada de te-vê as amarras se soltam, e o mergulho é cada vez mais profundo no interior da dimensão obscura.
É claro que a caixa eletromagnética ainda faz parte da composição de minhas imagéticas, fazendo dos grandes clássicos de cinema mundial os norteadores da conduta.
Já que somos obrigados a sofrer, que seja com classe. E como não temos escolha quando o assunto são ondas eletromagnéticas, é preferível que se afine o gosto para o diferente e o polêmico trazido pelo cinema. Tentativa, ainda que vâ, como muitos crêem, de sair do padrão de personagens, enredo, desfecho, além de notícias, desastres e catástrofes administrados pela mídia.
Não que não existam ideais de beleza, valores e posturas promulgados através do cinema, mas dependendo do que for escolhido para a ocasião, tabus acerca da morte e sexualidade podem ser mentalmente estimulados.
Além de colocar em evidência um quê de bizarrice na caretice que vive o pacato cidadão.


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Escrito completamente influenciado pelo desprezo de Godard, onde Bardot rompe com o drama mexicano e abandona seu homem, morrendo em seguida num trágico acidente de carro.

sábado, 14 de novembro de 2009

Morte à mãe e outras coisas má(i)s

Se houvesse a pílula da morte, eu a tomaria em silêncio.
Para fingir que acredito no delírio do medo e acordar num outro dia, apenas isto.
Minguou-se a lua de vermelho sangue derramado.

Ainda mórbida, suspiro em meio segundo e sigo, às vezes sorrindo meia boca, muitas outras surgindo (e saindo) apressadamente.
Tomaria também você em alternados goles, curtos e apreciáveis; longos e substanciais.

Para me fartar do furo imaginário que tanto me afugenta.
E me furtar da delicadeza que me foi roubada, em busca da ino(ciência).
Intervenção cúbica contemporânea.

O que dói vem de anos-luzes, planeta Terra.
E o que se destrói se estilhaça no chão, para em pequenos cacos compor belo mosaico de alma fragmentada.
Estou muito bem, não obrigada!

sábado, 7 de novembro de 2009

algo de começo

O corpo marcado vibra na intensidade do espaço se chocando com as estrelas.
E se desmancha no verde-azul mar morno contendo vidas.
Enrijece-se com o vento gélido da sombra entrecortada pelo sombrio.
E se ateia fogo, álcool e brasas, em tentativa vã de (?)
Engole o último suspiro acompanhado de choro e lava o (pen)último golpe de alma.
O corte influenciado pelo que se vê na [tevê(lesão)].
Nos limiares da profundidade é que se enxergam as dores alheias alhures da (com)fluência da relação.
Nos limites do silêncio são sentidas todas as sensações sem ser dita a palavra se-quer.
Na superfície do bom-senso (não) se invade o buraco negro imprevisível da alma auto-corrosiva.