sábado, 5 de dezembro de 2009

Sobre a tragicidade de se (ex)istir.

Pensando o suicídio I

Através de um olhar psi, como ser ético quando alguém que se deu conta da inutilidade de sua vida decide pôr fim à palhaçada que vem vivendo?
Determinado dia, a mãe chega dizendo do fulano, aquele que morava na beira mar, casado com a dona sicraninha, aliás, recém-separado, já engatado com outra novinha bonitinha. Perguntou-me se eu o lembrava. Num dia difícil, já fui lhe respondendo com certo desdenho, porém já me justificando com o argumento de que jamais seria uma boa psicóloga, pois achava justo que ele pulasse de sua cobertura luxuosa da beira-mar, desde que se tenha chegado à conclusão de que se tinha tudo e, impreterivelmente, nada.

O bolo da cereja foi lhe dizer que havia muita gente inútil no mundo e que há muito não havia guerras ou pestes.

Pensando o suicídio II

Dono de grande empresa fazedora de jornal depois de almoçar tranquilamente, talvez o prato preferido, sobe para fazer a sesta e papoca a aresta de seu juízo final. Por que alguém terá que impedi-lo, se ele decidiu o melhor para si?
Dever-se-ia lutar pela eutanásia da alma. Talvez a única liberdade ínfima do ser finito.
Um filme* de meu apreço anuncia que o suicídio é uma questão filosófica. Qual é a pretensão dos “curadores” da alma; quem se quer salvar e de quê?

Pensando o suicídio III

Garoto(a) emotivo(a) após uma suposta partida de RPG (Role Playing Games) sobe no shopping e pula sobre farmácias e bolsas. Familiar meu que participa dos jogos me chama para ir um dia ver, fazer um estudo. Disse que já tinha gente da psicologia engajada, fazendo trabalhos(!).
O que se quer explicar com inúmeras articulações teórico-práticas acerca de comportamentos, personalidades e outros seres?
No fim se quer 15 minutos de fama na Grande Outra Telona. Com todas as licenças lacanianas, grata. Também estamíricas, onde o que vale é o trocadilo do esperto ao contrário.
Nessa briga de foice, uma foice de isopor construída por eles mesmos, na lata do luxo vão parar ilusões, sexo e questões de gênero.


*filme: Persépolis.

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